Já podemos falar de GM do ano?
- filipedspardal9
- Apr 19
- 5 min read
Na reta final da época 3, começamos a poder falar com maior propriedade de prémios e distinções aos melhores. Uma luta que se antevê muito renhida nas votações é o prémio de GM do ano, com muitos mestres da táctica, surpresas na regular e na Cup e confirmações de qualidade por onde escolher. Neste artigo não encontrarão um ranking, mas antes alguns argumentos para enaltecer grandes temporadas.

Alexandre Maia: surpresa na Regular, astronómicos na Cup
Começam a faltar palavras para este agricultor que continua a "tirar leite da pedra" como há muito não se via. No primeiro episódio (deste ano) do podcast do ChampNBA, a melhor previsão para Houston era a 12ª posição. Pois bem, a pouco menos de um mês do final, os Rockets seguem na 6ª posição, com um registo de 36-34. É certo que a luta ainda os pode "relegar" para posições mais baixas, de playin, mas já parece certo que vão, pelo menos, disputar um lugar de acesso ao playoff, algo quase impensável há alguns meses.
Como se isso não bastasse, os Rockets seguem na ChampCup, nas meias-finais, onde, no momento deste artigo, estão empatados a 1 jogo com os Dallas Mavericks. Mas não nos esquecemos: para aqui chegar, eliminaram os NY Knicks e os Chicago Bulls, duas powerhouses da conferência Este. Os 20.9ppg, 8.0rpg e 6.4apg de Amen Thompson certamente ajudam a explicar todo este sucesso. Mas, mais do que isso, este sucesso é do GM, do seu processo táctico e do seu empenho em tentar sempre extrair todo o potencial do roster que tem à sua disposição.
Os fãs de Houston mal podem esperar para ver este potencial crescer já no próximo ano.
Filipe Ferreira: a regularidade que compensa
Certamente que se lembram das palavras deste GM no arranque da temporada 3 do ChampNBA: é "allin" para lutar para o anel. E, de facto, as condições pareciam, desde o início, favoráveis para essa ambição. Nas antevisões do painel do podcast, os Celtics foram colocados entre o 1º e o 3º lugar da conferência, deixando já fortes indícios que não era apenas Filipe Ferreira a considerar ter a matéria-prima para ser um sério contender.

Mas não só de teoria se faz o sucesso, e depois de um free agency period imaculado, veio a imagem de marca de um dos GM's mais histórios da nossa comunidade: mexer muito pouco, ou quase nada no mercado, mas tentar, pormenor a pormenor, otimizar uma DC rumo à táctica perfeita. Apesar da ChampCup ter ficado um pouco aquém, os Celtics começaram a jogar o seu melhor basquetebol na altura certa, chegando a uma streak de vitórias que passou uma dezena e os colocaram onde estão agora: no topo da Este.
Independentemente do que aconteça até ao final, Boston está aqui para vencer e tem no seu GM um candidato ao galardão.
André Lucas: o mestre da táctica chegou para ganhar
So far, so good. Os Spurs de André Lucas estão na luta pelo primeiro lugar na conferência Oeste e estão na luta pela conquista da ChampCup. Esta é, só por si, uma evolução muito positiva em relação ao ano transacto onde era "apenas" contenders. Deram um passo em frente e, agora, são dos principais candidatos a ganhar tudo. A antevisão do painel do podcast estava perto da realidade, colocando os Spurs entre o 2º e o 3º lugar da conferência. A falharem as previsões, será porque Lucas conseguirá ainda superar as já altas expectativas.
Se os resultados práticos não bastassem, o que dizer da qualidade que o GM empenha na liga, quer em termos de tácticas, quer na preocupação meticulosa de trazer sempre os atletas com as caracteristicas especificas para a forma como quer jogar? Foi o caso da troca que trouxe Cason Wallace já perto da trade deadline. Não há GM que aproveite o tanto que o jogo permite em termos tácticas e tudo isto são razões mais do que suficientes para estarmos perante um grande candidato.
Pedro Pardal: under the radar, o sucesso continua
Não houve grande unanimidade na análise aos Sixers no início do ano, tendo sido colocados entre o 1º e o 4º lugar pelos analistas. Neste momento são terceiros, pelo que não podemos dizer que as expectativas estavam erradas, mas continuamos a ter a sensação que a liga "adormece" perante o potencial dos Sixers. Potencial, esse, que é muito ditado pelo trabalho incrível que o seu GM faz todos os anos.
Certo que perderam a oportunidade de revalidar o título da ChampCup, conquistado no ano passado, mas Pedro Pardal tem o foco na regular season e, posteriormente, nos playoffs onde será (como é sempre) muito difícil bater esta equipa a sete jogos. Por agora, vai ser mais uma época acima das 50 vitórias, o que coloca este GM no top dos que mais ganham no ChampNBA e, claro, coloca-o também como candidato legítimo a esta distinção no final do ano.
Filipe Pardal: não só dentro do top3, como candidato ao título
A par dos Rockets, os Mavs de Filipe Pardal foram, destas equipas em destaque, a que mais surpreendeu a liga. Nas previsões foram colocados entre o 4º e o 5º lugar e eram poucos os que os colocavam sequer na luta pelo anel uma vez que o projeto ainda estava a crescer. Talvez os primeiros tempos, na época 1 e parcialmente na época 2, de "reforma" do GM fizeram com que alguns se esquecessem da sua determinação e ação em contexto de mercado e, "do nada", os Mavericks reforçaram-se até chegarem aqui: candidatos ao título e na luta pelo primeiro lugar na conferência Oeste.
Só por si, este "CV" do ano já coloca o GM entre os candidatos. Resta saber como vai terminar a regular season, uma vez que nada está garantido e a luta vai ser mesmo até ao final.
Pedro Lança: o campeão mora aqui
Dificilmente haverá um artigo em que se destaque os melhores da temporada onde não esteja Pedro Lança. O campeão em título do ChampNBA teve de reinventar, em certa medida, os seus Chicago Bulls, depois da saída de Tatum no final do ano. Juntando a progressão da base jovem do roster e juntando o engenho negocial do GM, os Bulls rapidamente ajustaram e tornaram-se, novamente, numa das principais powerhouses da Este e da liga.
Por ser habitual, tendemos a relativizar o sucesso. Mas ganhar dá muito trabalho numa liga tão completa e competitiva como esta e Lança prova, ano após ano, que estará sempre nessa discussão. Já venceu o primeiro troféu do ano (a recém-criada Supertaça) e continua com possibilidades de assaltar o topo da conferência Este, mesmo após uma saída "prematura" da ChampCup.
Nunca podemos descartar estes Bulls, se ainda precisamos de avisar alguém sobre esse facto, é porque esse alguém estará muito distraído.
Renato Mendes: mais 50+ vitórias no bolso

Renato Mendes é o líder de mais uma das equipas que regista o patamar invejável das 50 vitórias no ano. Além disso, ainda está na lutar pela ChampCup. É certo que nas antevisões, houve unanimidade em colocar os Grizzlies como líderes da conferência Oeste e isso não está, neste momento, a verificar-se. Mas o que dizer dos seus adversários que tanto cresceram deste então? Simplesmente nefasto.
Ainda assim, Embiid e Jalen "Judas" Williams querem aproveitar ao máximo aquela que pode ser a sua "last dance" enquanto colegas de equipa e enquanto jogadores dos Grizzlies. É provável que estejamos a assistir a um all-in antes de uma possível reconstrução, mas é certo que estamos perante um candidato forte a GM do ano.
Guilherme Silva: a melhor equipa de sempre há 5 anos
Lebron James, Kawhi Leonard e Stephen Curry. Foi este o trio estelar que Guilherme Silva conseguiu juntar antes da trade deadline. Os Knicks têm a melhor equipa de sempre, se estivéssemos em 2021. Ainda assim, têm um roster apetrechado (olhem para aquele banco e role players) para serem, neste momento, candidatos a voltar a ganhar o ChampNBA, depois do título da primeira temporada.
Este "renascer" das cinzas já é motivo mais do que suficiente para colocar Guilherme entre os melhores do ano e certamente que a sua mestria negocial vai convencer muitos colegas de profissão na altura de colocar as cruzinhas nos votos.



Comments