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Renovações abriram a carteira e fecharam algumas portas

Há uma altura do ano no ChampNBA em que os GM's deixam de falar de projetos, cultura e “construir para o futuro” e começam a falar uma língua bastante mais simples: milhões. Nas renovações conseguimos ver de tudo. Campeões que perderam a sua estrela, vice-campeões que decidiram reconstruir sem reconstruir, jogadores que recusaram projetos, franchises que pagaram fortunas para manter o núcleo e outros que descobriram que, afinal, há jogadores que não vale a pena manter nem quando estão baratos.


Houve estratégia (ou falta dela), houve convicção e houve pelo menos algumas decisões que vão precisar de explicação numa conferência de imprensa. A competitividade das trinta equipas começa a jogar-se mesmo antes do primeiro jogo da regular season.




Os campeões ficam sem Butler. Mas não ficam sem equipa


Comecemos pelos campeões: os San Antonio Spurs. Jimmy Butler decidiu não renovar, deixando a equipa de André Lucas sem uma das principais figuras do título. Não é por acaso que foi o MVP das finais (4-3 frente aos Sixers). Começa a existir uma tradição dos MVP's das finais não gostarem de rotina.


As boas notícias foram que a equipa conseguiu manter Bam Adebayo e Dyson Daniels, abrindo os cordões à bolsa para preservar uma parte fundamental da estrutura campeã.


Adebayo assinou por três anos e 135,85 milhões, enquanto Daniels ficou por cinco anos e 105 milhões. Não são contratos simpáticos para o Excel, mas são contratos que nos dizem que os campeões não estão interessados em oferecer a temporada seguinte a ninguém.


Luka disse “não” aos Kings


Se há jogadores capazes de alterar uma franchise, Luka Doncic é um deles, todos sabemos disso. Nicolas Lima queria Doncic, mas Doncic não quis ativar a sua player option, certamente porque sabe que conseguirá um contrato mais lucrativo noutro (ou no mesmo) lugar.


A decisão do esloveno de rejeitar o projeto de Sacramento é uma das grandes histórias desta offseason e vai levar muitos GM's a fazerem contas ao free agency period. No entanto, só um deles vai conseguir levar o talento do base para as suas fileiras. Resta saber quem e, principalmente, como. (Recorde-se o que aconteceu com Cade Cunnigham no ano transacto).


Para os Kings, começa agora a parte complicada: explicar como se passa de “podíamos ter Luka Doncic” para “este era exatamente o plano”.


Boa sorte.


Durant abandona os vice-campeões



Se os campeões perderam Butler, os vice-campeões perderam Kevin Durant. É difícil imaginar uma mudança mais significativa num plantel que acabou de chegar às Finals. No entanto, era provavelmente um dos segredos mais mal guardados e a saída estava bastante clara desde cedo, até para o próprio Pedro Pardal.


Durant decidiu sair, deixando a equipa perante uma offseason em que tudo podia ter sido colocado em causa. A resposta foi, para já, conservadora. Numa altura de enorme mudança: Kyrie Irving fica. Irving renovou por dois anos e 74,6 milhões.


Não houve pânico em Philadelphia, em vez de carregar no botão vermelho e começar tudo de novo, o GM decidiu manter uma das suas estrelas e tentar reconstruir a partir daí.


Curry procura um novo desafio


Continuando a falar de craques, temos de mencionar que também Stephen Curry decidiu que era altura de mudar. O base saiu dos Knicks, procurando um novo desafio depois da passagem fugaz por New York.


Para Curry, começa outra aventura depois de ter podido finalmente lutar por um anel no ano passado. Em via contrária, a boa notícia para Guilherme Silva é que Lebron James, MR. 17M, vai passar a ser apenas MR. 23M. Não se esticou, o velho craque que gostou da vida pela cidade.


Memphis: Embiid, Williams e "tudo na mesma"


Se houve uma equipa que conseguiu sair desta offseason com uma sensação particularmente confortável, foi Memphis. Os Grizzlies conseguiram manter Joel Embiid (por decisão do atleta) e também fechar a renovação de Jalen "Judas" Williams.


Mas Williams não foi exatamente uma formalidade. Foram vários dias de negociação até chegar a acordo. E quando finalmente chegou, chegou em grande: cinco anos, 203,85 milhões.


Aparentemente ficou tudo na mesma nas fileiras de Renato Mendes. Mas há um sinal "interessante". Parece que desta vez o GM vem com vontade de mudar e procurar trocas que mexam com a conferência Oeste e, claro, com toda a liga.


Banchero: os cofres dos Clippers nunca mais serão os mesmos



Paolo Banchero também não saiu desta offseason propriamente maltratado. O jogador renovou com os Clippers por cinco anos e 225,8 milhões. Uma fortuna que também é unânimamente justificada pelo talento que o jogador traz para dentro do campo.


Os Clippers de Manuel Costa decidiram que Banchero é suficientemente bom para justificar um contrato que vai pesar brutalmente nas contas durante vários anos. O jogador fica com segurança. O franchise fica com uma estrela garantida e ainda com alguma margem para tomar boas decisões na offseason.


Depois da decisão que faz sentido do ponto de vista desportivo, já que as estrelas custam dinheiro, vamos seguir atentamente os primeiros testes de Andr... Manuel ao lemete de uma equipa do ChampNBA desde o início de uma temporada.


Charlotte tentou, negociou… e perdeu Portis


Charlotte teve uma offseason particularmente difícil. Bobby Portis vai sair, depois de a equipa ainda ter tentado negociar com o jogador para encontrar uma solução que permitisse a continuidade. Não chegou e até ficou longe.


E como se isso não bastasse, Duarte Gomes também decidiu despachar Landry Shamet por trocos. Há muita curiosidade para conhecer a prestação dos Hornets no free agency period.


Boston mantém o core e Mitchell as mansões


Em Boston, a estratégia foi bastante diferente. Os Celtics decidiram manter o core, recusando a ideia de que uma offseason sem grandes mudanças seja necessariamente uma offseason sem ambição. Típico de Filipe Ferreira, todos sabemos.


Mas manter também custa dinheiro e Boston teve de pagar bastante para garantir Donovan Mitchell. A decisão é coerente com a filosofia da franchise: se o núcleo funciona, não há necessidade de reinventar a roda. Há apenas a necessidade de continuar a pagar aos jogadores que fazem a roda andar.


Vamos ver se a estabilidade chega para o passo que falta: vencer a conferência e o anel.


Denver deixou Collier ir. Mesmo barato.


Há também o outro lado do mercado que passa, ou pode passar, mais despercebido. Denver decidiu não ficar com Isaiah Collier, apesar de o jogador estar disponível por um valor relativamente baixo e de prometer uma evoluçã que o tornará um suplente muito competente. É talvez uma das decisões mais curiosas da offseason e que Rui Leite terá de explicar aos seus adeptos.


Normalmente, quando um jogador é barato, existe sempre a tentação de pensar: “mais vale ficar com ele”. Denver decidiu que não.


Dallas perde Reaves, mas segura Chet


Dallas também sofreu uma baixa importante. Austin Reaves deixa os Mavericks, obrigando a equipa a mexer na rotação. Por outro lado, os Mavs conseguiram aquilo que provavelmente considerava mais importante: Chet Holmgren fica. Cinco anos e 180,2 milhões.


É um contrato que assegura uma peça central (do ponto de vista defensivo, pelo menos) para o futuro da franchise e impede que a saída de Reaves se transforme numa offseason de terra queimada. Até porque, não nos podemos esquecer, Filipe Pardal estava obrigado a escolher entre Anthony Davis e Jaylen Brown. A decisão da amnestia acabou por recair no primeiro.




 
 
 

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