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SuperCup: um épico duelo texano

5 minutes ago
6 min read

Spurs e Mavericks abrem a época 4 numa SuperCup à melhor de três. Nesta preseason, San Antonio mostrou a força dos seus principais jogadores e Dallas revelou diferentes maneiras de atacar. Entre experiências, os números deixam-nos com uma disputa bastante equilibrada e duas perguntas primordiais: quem consegue proteger melhor a bola e quem aguenta quando chega a hora das substituições?




O primeiro troféu da época 4 começa a discutir-se onde a anterior deixou uma das suas diferenças mais pequenas. San Antonio ganhou 62 jogos na fase regular. Dallas ganhou 61. Uma vitória em 82 encontros separou duas equipas que acabariam por encontrar caminhos distintos para celebrar: os Spurs conquistaram o campeonato; os Mavericks, a ChampCup. Agora, encontram-se numa série em que duas vitórias chegam para levantar outra taça.


Há um interesse especial nestes confrontos de abertura. O estatuto vem da época anterior, mas as respostas têm de ser dadas pelas equipas de hoje. E nenhuma chega exatamente da mesma forma. Os Spurs perderam Jimmy Butler e Lonzo Ball, mas receberam Jaren Jackson Jr. e redistribuiram responsabilidades. Os Mavs ficaram sem Anthony Davis e procuraram reforçar o conjunto de opções à disposição do seu GM.


A SuperCup apanha ambos nesse momento delicado: já há um título (a sério) para ganhar, mas ainda há uma equipa para acabar de definir. Os jogos amigáveis deixaram os dois em igualdade no balanço de vitórias e derrotas, 2-1, e na pontuação acumulada: 346 pontos para cada lado. Até a eficiência global de lançamento ficou praticamente empatada. O true shooting, que considera lançamentos de dois, de três e lances livres, foi de 54,5% para os Spurs e 54,6% para os Mavericks. Queriam emoção desde já? Aqui a têm.


Vai ser nos detalhes... na teoria.


A proximidade prolonga-se quando se procura corrigir o efeito do ritmo. Na preaseason, San Antonio marcou 101,3 pontos por cada 100 posses; Dallas, 101,1. Valem o que valem, mas não sustentam a ideia de uma clara superioridade ofensiva de qualquer uma das partes.


A ligeira diferença esteve do outro lado do campo. Os Spurs permitiram cerca de 97,2 pontos por 100 posses estimadas, contra 98,5 dos Mavericks. Daí um saldo de eficiência de +4,1 para San Antonio e +2,6 para Dallas. É uma vantagem curta, recolhida em três jogos, contra adversários diferentes e com equipas em testes. Mas serve para enquadrar a discussão.


O melhor dos Spurs já mete respeito



O argumento mais forte de San Antonio tem nomes e jogam no interior: Bam Adebayo e Jaren Jackson Jr. A nova dupla dos campeões em título marcou 49 pontos contra Memphis, 47 no primeiro encontro com Minnesota e outros 49 no segundo. Enquanto as experiências alteravam o rendimento à sua volta, os dois mantiveram uma produção invulgarmente estável para uma preseason.


Bam terminou com 25 pontos por jogo e 65,9% de true shooting. Jackson juntou 23,3 pontos, 11,3 ressaltos e 59,9% nessa mesma medida de eficiência. Há volume e há aproveitamento. Para uma equipa que perdeu Butler, encontrar desde já duas referências capazes de produzir desta forma acaba por conseguir tranquilizar os adeptos que temeram que André Lucas tivesse enlouquecido por gastar as fichas todas muito cedo no Free Agency Period.


Contra Memphis, Jackson fez 26 pontos e 13 ressaltos. Na última visita a Minnesota, Bam respondeu com 29 pontos, dez lançamentos convertidos em 13 e um saldo individual de +32. Ao fim de três períodos, os Spurs venciam por 107-77.


Essa vantagem de 30 pontos é provavelmente a imagem mais forte que o campeão deixa antes da SuperCup. A informação seguinte é a que impede uma antevisão demasiado confortável: Minnesota ganhou o último quarto por 45-27.


Dias antes, os mesmos Wolves tinham imposto um parcial de 40-14 no período final, transformando uma desvantagem de 18 pontos numa vitória por oito. Em dois encontros, os Spurs sofreram 85 pontos nos últimos períodos.


Este facto obriga a olhar para a distância entre o rendimento dos principais jogadores e o de várias alternativas do roster. No último amigável, todos os titulares terminaram com saldos individuais entre +19 e +34; vários suplentes ficaram claramente negativos.


André Lucas terá de decidir quantos minutos pode entregar à rotação sem perder o controlo que os seus melhores jogadores conseguem construir. Uma série à melhor de três favorece decisões rápidas. Se o campeão precisar de encurtar o banco, dificilmente encontrará uma ocasião mais evidente para o fazer.


Dallas tem soluções. Precisa de escolher as certas. Rapidamente...



Os Mavericks deixaram uma preparação menos linear durante os amigáveis, algo que o próprio GM, Filipe Pardal já fez questão de comentar publicamnte. Houve Ryan Rollins a jogar 45 minutos em Charlotte, Jaylen Brown "limitado" a seis contra Philadelphia e Austin Reaves a começar como base no último encontro.


A melhor versão ofensiva apareceu no triunfo por 133-126 sobre Memphis. Brown marcou 31 pontos, Reaves fez 28 e Chet Holmgren acrescentou outros 28, apesar de ter sido colocado no bolso por Jalen Williams. Os três somaram 87, com Dallas a distribuir 34 assistências e a converter 12 dos seus 22 triplos.


O detalhe mais impressionante esteve na eficiência dos dois exteriores. Brown registou 79,9% de true shooting; Reaves, 78,8%. Brown não perdeu uma única bola. Reaves cometeu apenas um turnover. Foi uma combinação de produção, eficácia e segurança que qualquer equipa gostaria de transportar para uma final. É também uma combinação pouco provável de repetir.


Nos dois primeiros amigáveis, Dallas tinha convertido apenas 12 triplos em 49 tentativas. Contra Memphis, acertou os mesmos 12 em 22. Além disso, os Grizzlies jogaram sem Joel Embiid. O resultado mostra o que os Mavericks podem produzir quando várias peças encaixam, mas ainda não estabelece o que conseguem garantir quando o adversário lhes retira conforto.


Dallas pode sobreviver a essa relação entre volume e eficácia quando Brown e Reaves estão a converter quase tudo. Contra os Spurs, poderá precisar de uma distribuição mais criteriosa. Tanto de caudal ofensivo, como até de minutos e rotação.


A ausência de Davis, que tanto contribuiu na época transacta, torna esta discussão inevitável. Chet terá mais responsabilidade, mas responsabilidade não significa necessariamente lançar mais em todas as circunstâncias até porque não estamos a falar desse tipo de jogador. Encontrar o equilíbrio entre protagonismo e seleção de tiro será uma das tarefas centrais dos Mavericks.


As tabelas aproximam-nos. As perdas de bola também.


Há uma tentação natural de reduzir a série ao confronto entre os interiores dos Spurs e os criadores exteriores de Dallas. Os Mavericks ganharam a batalha das tabelas nos três amigáveis. San Antonio venceu-a em dois e perdeu o último pela margem mínima. Quando se considera a proporção dos ressaltos ofensivos disponíveis que cada equipa conquistou, os Spurs ficaram nos 26,8% e Dallas nos 25,0%.


As duas equipas mostraram capacidade para prolongar ataques. Nenhuma demonstrou uma vantagem suficientemente grande para partir do princípio de que controlará as tabelas nesta série. Mais reveladora é a forma como ambas desperdiçaram parte desse trabalho. San Antonio cometeu 61 turnovers; Dallas, 55. O que corresponde a cerca de 17,9 perdas por 100 posses para os Spurs e 16,1 para os Mavericks.


O campeão ganhou a Memphis apesar de perder a bola 23 vezes. Dallas também somou 23 turnovers em Charlotte e saiu derrotado no prolongamento, mesmo tendo conseguido mais 12 ressaltos.


É precisamente neste ponto que temos um "joker" para destacar. Cason Wallace distribuiu 37 assistências e cometeu cinco turnovers nos três encontros: um rácio de 7,4 assistências por perda de bola. O lançamento oscilou bastante, mas a criação para os colegas manteve-se.


Nos primeiros dois jogos, Wallace acertou apenas três de 18 lançamentos. No último, fez cinco em oito, incluindo quatro triplos. Se conseguir juntar ameaça exterior à segurança com que tem distribuído a bola, San Antonio ganha uma peça importante para impedir que Dallas concentre demasiados recursos em Bam e Jackson.


Nos Mavericks, Mike Conley oferece outro tipo de segurança a considerar. Contra Philadelphia, somou oito assistências e duas perdas de bola; frente a Memphis, fez cinco assistências e um turnover em apenas oito minutos. A sua utilização será uma das decisões relevantes de uma equipa que ainda está a experimentar formas de organizar o ataque.


A série começa nas escolhas dos GMs


A revista de antevisão (genialmente elaborada por Pedro Pardal) projetava Dallas com Conley, Reaves, Brown, Trey Murphy III e Chet. Os três amigáveis apresentaram Daniel Gafford a poste e Holmgren a extremo-poste. Essa diferença abre uma das principais discussões táticas da SuperCup.


Gafford deixou uma boa resposta no último teste, com 19 pontos e oito lançamentos convertidos em 11. Murphy mostrou contra Philadelphia que pode produzir com poucas tentativas: 14 pontos, seis cestos em oito lançamentos. Dallas tem alternativas plausíveis. A dificuldade está em perceber quais funcionam melhor contra este adversário, neste momento.


San Antonio enfrenta uma escolha diferente. O seu cinco parece mais definido; o desafio é construir os minutos à volta dele.


O primeiro encontro poderá ser decisivo também por isso. Quem vencer ganha margem para ajustar. Quem perder fica obrigado a acertar duas vezes seguidas.


O favoritismo existe, por margem pequena


San Antonio tem vantagem. Pelo estatuto, pela regularidade da dupla interior e pelos períodos de domínio que já conseguiu apresentar. A sua vantagem de eficiência defensiva na preparação reforça essa leitura.


Dallas tem argumentos suficientes para a contrariar. Mostrou maior profundidade de opções, capacidade para ganhar o ressalto e um ataque que, no último ensaio, encontrou produção simultânea em Brown, Reaves, Chet e Gafford. Se conseguir preservar a bola e evitar depender de percentagens extraordinárias, terá condições para obrigar o campeão a jogar sob pressão.


A SuperCup vai entregar o primeiro troféu à equipa que conseguir resolver mais depressa os seus problemas.




 
 
 

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