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As 180 razões de um jogo que a ChampCup não vai esquecer

A ficha técnica dirá que foi apenas mais um jogo da 8.ª jornada da ChampCup. O marcador final que foi imortalizado em Charlotte Hornets 180, Sacramento Kings 171, após três prolongamentos confirma a anomalia assente no equilíbrio. Mas quem acompanhou o jogo percebeu rapidamente que estava perante algo diferente: um encontro que se recusou a terminar, que sobreviveu à lógica estatística e que expôs, durante mais de uma hora, tudo o que a ChampNBA tem de melhor… e de mais cruel.


Charlotte entrou melhor. Definitivamente Duarte Gomes conseguiu "acordar" a equipa que comanda de forma dormente há 2 épocas e meia. Mais intenso, mais assertivo, com Stephen Curry desde cedo a assumir o controlo do ritmo ofensivo. Há quem diga que parece a versão de 2016, mas se houve um decréscimo grande na produção de Curry desde então, ninguém nos tinha avisado.


Dois triplos nos primeiros minutos foram suficientes para forçar Sacramento a ajustar defensivamente, abrindo espaço para Miles Bridges e Bobby Portis explorarem o interior.

Sacramento respondeu como equipa experiente, apesar das recentes trocas que, consequentemente, trouxeram alguma instabilidade.


Luka Dončić não acelerou o jogo, leu-o, como é seu apanágio. Assistiu, organizou, envolveu RJ Barrett, que rapidamente percebeu que a noite pedia agressividade e que continua a jogar, provavelmente, acima das suas possibilidades. O primeiro quarto fechou com vantagem dos Hornets (39-33), mas já com sinais claros de que os Kings tinham encontrado caminhos.


No segundo período, o jogo mudou de mãos várias vezes. Sacramento foi mais eficiente, explorou melhor as transições e conseguiu, por momentos, controlar o ímpeto ofensivo de Charlotte. Barrett cresceu no jogo, Murray apareceu como solução secundária, e Luka começou a assumir também como finalizador. Ainda assim, Charlotte manteve-se sempre a uma posse de distância. Desmond Bane assumiu um papel determinante e continua a provar a aposta ganha no negócio que o levou até Charlotte. Ao intervalo, os Hornets venciam por 80-72, sem nunca terem verdadeiramente dominado, verdade seja dita.


O terceiro período trouxe o momento mais próximo de rutura. Sacramento encostou, passou para a frente e obrigou Charlotte a responder sob pressão. Foi aqui que Curry voltou a ser decisivo. Não apenas pelos lançamentos convertidos, mas pela forma como obrigou a defesa dos Kings a esticar, criando espaços para Bridges e Portis. A táctica faz diferença, quem diria?


O jogo entrou no quarto período com 112-109 no marcador. Tudo em aberto.

Os últimos doze minutos foram um exercício de resistência. Sacramento chegou várias vezes à liderança, Charlotte respondeu sempre. Luka e Barrett continuaram a castigar a defesa adversária, enquanto Curry, cada vez mais desgastado, mantinha os Hornets vivos com lançamentos difíceis, muitos deles em desequilíbrio. A 17 segundos do fim, o marcador assinalava 137-137. Sacramento teve a última posse do tempo regulamentar. Não conseguiu converter. O jogo seguiu para prolongamento.


Na linha lateral, o ambiente era de tensão pura. Duarte Gomes, GM dos Hornets, acompanhava cada posse de pé, visivelmente envolvido (o quê?!?!). Do lado oposto, Nicolas Lima, GM dos Kings, alternava entre gestos de frustração e confiança, a sua equipa tinha feito quase tudo bem.

Os prolongamentos sucederam-se um a seguir ao outro. Foram precisos três para tornar a anomalia estatisticamente e emocionalmente real.


No total, Charlotte marcou 43 pontos. Sacramento respondeu com 34. Curry voltou a assumir, Bridges continuou a atacar o cesto, Bane estabilizou decisões. Sacramento manteve-se sempre por perto, sustentado por Luka e Barrett, mas nunca conseguiu recuperar definitivamente o controlo. Quando o jogo terminou, o marcador fixou-se nos 180-171. Charlotte venceu.


Na conferência de imprensa, Curry resumiu o essencial:

“Houve momentos em que já não sentíamos as pernas. Mas sabíamos que, enquanto o jogo estivesse vivo, tínhamos de continuar a lançar.”

Charlotte sai deste jogo com uma vitória e um sinal claro à ChampCup: é uma equipa capaz de sobreviver quando o jogo perde a forma. O problema é que podem ter acordado tard demais. Um registo de 3-5 torna-se difícil de recuperar até aos lugares cimeiros, até porque restam dois jogos com grau de dificuldade.


Sacramento sai derrotado e está também na linha vermelha a lutar pela vida.


Este não foi apenas um resultado. Foi um jogo que expôs limites, resistências e nervos. Foi um daqueles encontros que explicam porque a ChampCup se tornou numa competição tão importante para a nossa liga.


 
 
 

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